Category Archives: Músicas

Uma delícia …

Apenas para iniciados …

Caetano Veloso

Caetano faz hoje 72 anos, ou a efeméride da eterna juventude da genialidade.

Um dos meus (já raros) “living heroes”.

E que melhor homenagem do que recordar o convívio com o Mestre?

Parabens.

Horácio, o filho de João da Silva

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Partiu Horace Silver, figura maior do jazz, fundador do hard bop, construtor de pontes para outras músicas, explorador de caminhos para outros ritmos, pintando (ainda) mais cores na exuberante policromia do jazz.

A nós, toca-nos mais de perto porque, filho de caboverdiano, Horace foi muito influenciado pelas toadas de morna e coladera com que os familiares recordavam o som di terra. Sodade.

Dessa memória musical resultaram dois discos que, só por si e se mais nāo houvesse, colocariam Horace no panteão do jazz. Os fundamentais “Song for my father” e “The Capeverdian Blues”.

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Conheci primeiro as mornas de S. Vicente e as coladeras da Praia, que frequentei incansavelmente durante os mais de dez anos em que, desde o principio da década de 80, fui regularmente a Cabo Verde.

Cheguei ao jazz mais tarde e foi, precisamente, o piano crioulo de Horace Silver a chave que me abriu muitas das suas portas.

Que descanse em paz.

Entre as muitas evocações do génio de Horace Silver, aqui fica a de Mário Lopes, no Público.

Começou por ser saxofonista no Connecticut natal, mas seria já depois de trocar o saxofone pelo piano e Connecticut por Nova Iorque que Horace Silver começou a destacar-se e a iniciar um percurso que o preservou como um dos fundadores do hard bop e um músico que, pela elegância e simplicidade melódica e pela dinâmica cativante do ritmo, se tornaria uma referência no final da década de 1950 e na seguinte.

Nascido Horace Ward Martin Tavares Silva a 2 de Setembro de 1928, Silver tocou com gigantes como Stan Getz, o primeiro a reconhecer-lhe o talento, Miles Davis ou Lester Young. Fundou os muito influentes Jazz Messengers com Art Blakey, e ajudou a revelar talentos como o saxofonista Joe Henderson, o trompetista Art Farmer ou o baterista Billy Cobham.

Filho de um cabo-verdiano imigrado nos Estados Unidos, John Tavares Silva, operário numa fábrica de borracha e multi-instrumentista (violino, mandolim) que seria influência musical marcante (o clássico Song for my father inspira-se nas tardes passadas a ouvir o pai e o tio tocarem mornas e coladeras), o pianista morreu de causas naturais esta quarta-feira na sua casa em New Rochelle, Nova Iorque, adiantou o seu único filho, Gregory, à NPR. Horace Silver tinha 85 anos.

“Pessoalmente, não acredito em política, ódio ou fúria na minha composição musical. A música deve levar felicidade e alegria às pessoas e fazê-las esquecer os seus problemas”, escreveu no texto de acompanhamento de Serenade to a Soul Sister, álbum editado em 1968. Na década seguinte, iríamos encontrá-lo a procurar dar voz a essa necessidade, quando gravou uma série de três álbuns conhecida como The United States of Mind, os primeiros em que trabalhou de forma continuada com a voz, incluindo a sua, e que reflectiam um desejo de autodescoberta espiritual através da música.

Os discos, editados entre 1970 e 1972, não foram consensuais, quer junto da crítica, quer junto daqueles que acompanhavam há muito a sua música. Reflectiam o seu desejo de mudança num mundo que, também ele, mudava rapidamente. Porém, Horace Silver é celebrado como um dos grandes nomes do jazz pelo que fizera antes. Outras mudanças: é um dos nomes fundadores do hard-bop, ramificação do revolucionário bebop que, apropriando-se do rhythm’n’blues ou do gospel, colocava a ênfase no ritmo e numa maior simplicidade harmónica. Foi neste período que criou alguns dos seus temas mais famosos, como Filthy McNasty, The Preacher, Sister Sadie, a latina Señor blues ou a supracitada Song for my father.

Começava a fazer o seu nome enquanto pianista no circuito local quando, aos 22 anos, Stan Getz ouve o seu trio no clube Sundown, em Hartford. Trabalharia com o saxofonista durante cerca de um ano, antes de se mudar para Nova Iorque, onde não tardaria a tornar-se músico requisitado pela fervilhante comunidade jazz da cidade, trabalhando com Coleman Hawkins ou Lester Young. Em 1953, fundava com o baterista Art Blakey os Jazz Messengers que, com a sua formação de trompete, saxofone tenor, piano, contrabaixo e bateria, viriam a ser o standard para a instrumentação hard-bop, escrevia ontem Peter Keepnews no obituário publicado pelo New York Times. Keepnews destaca o estilo peculiar de Silver: “Improvisando com destreza motivos engenhosos com a sua mão direita enquanto atacava sonoras linhas de baixo com a esquerda, conseguia evocar simultaneamente pianistas de boogie-woogie como Meade Lux e beboppers como Bud Powell. Porém, ao contrário de muitos pianistas bebop, Silver enfatizava a simplicidade melódica sobre a complexidade harmónica”.

Horace Silver manter-se-ia com os Jazz Messengers durante dois anos e meio, antes de formar o seu quinteto, inicialmente composto pela mesma formação dos Messengers, com excepção de Art Blakey, substituído pelo então muito jovem Louis Hayes. Seria enquanto líder que gravaria álbuns como 6 Pieces of Silver (1956), Blowin’ the blues away (1959), Song for my father (1965) ou The Cape Verdean Blues (1965), todos eles editados pela Blue Note, a mítica casa discográfica à qual esteve ligado entre 1955 e 1980.

Um dos nomes mais célebres do jazz em palco e em disco durante a década de 1960, com o groove do seu hard-bop a servir como banda-sonora perfeita para o período (influência transversal: os Steely Dan criaram o seu maior sucesso, Rikki, dont’t lose that number, sobre a linha de baixo de Song for my father), Horace Silver manter-se-ia bastante activo em palco e em estúdio nas décadas que se seguiram. No início dos anos 1980, fundou a Silveto, editora de vida curta, antes de prosseguir carreira com álbuns para a Impulse!, Verve ou Columbia.

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As Mãos

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As mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

Poema: Manuel Alegre

Fotografias: João Martins Pereira

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Este poema foi feito canção com música de Adriano Correia de Oliveira num disco (“O Canto e As Armas, 1969″) inteiramente dedicado à poesia de  Alegre, um Amigo dos tempos de Coimbra, a cujas palavras o canto de Adriano regressou repetidamente.  A voz única de Adriano e a poesia de Alegre  marcaram o Portugal de antes de 74 e ajudaram a despertar a consciência de quem viveu os anos de estertor do Estado Novo.   O disco incluía uma nova versão da “Trova do Vento que Passa”, “A Canção da Fronteira”, “A Batalha de Alcácer Quibir”, entre outras. Foi gravado em Lisboa, quando Adriano cumpria o serviço militar, em apenas duas noites. Segundo o Público, citando  Rui Pato que o acompanhou nessas sessões, Adriano cantou todas as canções fardado de Alferes. Para desmilitarizar o ambiente, a pistola regulamentar ficava em cima do piano do estúdio.

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Tom Thum

Ver e ouvir para crer.

O rapaz chama-se Tom Thum

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Estas Tonne

O nome tem uma sonoridade estranha.
O homem chama-se Estas Tonne e é, supostamente, russo.
É um músico genial, um guitarrista inacreditável, um virtuoso.
Fechem os olhos, flutuem no som e será difícil acreditar que não se trata de um conjunto de guitarras, tocadas por muitas mãos, cada uma com muitos dedos. Mas não, é só ele e uma guitarra, só com duas mãos, só com dez dedos.
Toca na rua, não sei se por opção, se por ausência de opções.

Toca assim

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The Battle We Didn’t Choose

Vão ver um trabalho pungente, arrepiante, doloroso mas, sobretudo, de enorme coragem, dignidade e, creio que estou certo, Amor.

Retrata uma realidade cruel, implacável, indiferente a idades, credos, classes ou raças. Que a muitos chega e a todos pode chegar. Silenciosa, traiçoeira e, se não denunciada, fatal.

Um sopro de ar gelado na nuca.

As fotografias são sublimes. Pela primeira vez neste blog, prefiro não as publicar para não lhes retirar nenhum do impacto brutal que têm. Aqui fica apenas uma e peço-lhes que vejam as outras directamente, no site The Battle We Didn’t Choose.

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E lembrei-me desta canção.

The first time I saw Jennifer I knew. I knew she was the one. I knew, just like my dad when he sang to his sisters in the winter of 1951 after meeting my mom for the first time, “I found her.”

A month later Jen got a job in Manhattan and left Cleveland. I would go to the city – to see my brother, but really wanting to see Jen. At every visit my heart would scream at my brain, “tell her!!” but I couldn’t work up the courage to tell Jen that I couldn’t live without her. My heart finally prevailed and, like a schoolboy, I told Jen “I have a crush on you.” To the relief of my pounding heart, Jen’s beautiful eyes lit up and she said “Me too!”

Six months later I packed up my belongings and flew to New York with an engagement ring burning a hole in my pocket. That night, at our favorite Italian restaurant, I got down on my knee and asked Jen to marry me. Less than a year later we were married in Central Park, surrounded by our family and friends. Later that night, we danced our first dance as husband and wife, serenaded by my dad and his accordion – ♫ “I’m in the mood for love…”♫

Five months later Jen was diagnosed with breast cancer. I remember the exact moment…Jen’s voice and the numb feeling that enveloped me. That feeling has never left. I’ll also never forget how we looked into each other’s eyes and held each other’s hands. “We are together, we’ll be ok.”

With each challenge we grew closer. Words became less important. One night Jen had just been admitted to the hospital, her pain was out of control. She grabbed my arm, her eyes watering, “You have to look in my eyes, that’s the only way I can handle this pain.” We loved each other with every bit of our souls.

Jen taught me to love, to listen, to give and to believe in others and myself. I’ve never been as happy as I was during this time.

Throughout our battle we were fortunate to have a strong support group but we still struggled to get people to understand our day-to-day life and the difficulties we faced. Jen was in chronic pain from the side effects of nearly 4 years of treatment and medications. At 39 Jen began to use a walker and was exhausted from being constantly aware of every bump and bruise. Hospital stays of 10-plus days were not uncommon. Frequent doctor visits led to battles with insurance companies. Fear, anxiety and worries were constant.

Sadly, most people do not want to hear these realities and at certain points we felt our support fading away. Other cancer survivors share this loss. People assume that treatment makes you better, that things become OK, that life goes back to “normal.” However, there is no normal in cancer-land. Cancer survivors have to define a new sense of normal, often daily. And how can others understand what we had to live with everyday?

My photographs show this daily life. They humanize the face of cancer, on the face of my wife. They show the challenge, difficulty, fear, sadness and loneliness that we faced, that Jennifer faced, as she battled this disease. Most important of all, they show our Love. These photographs do not define us, but they are us.

Cancer is in the news daily, and maybe, through these photographs, the next time a cancer patient is asked how he or she is doing, along with listening, the answer will be met with more knowledge, empathy, deeper understanding, sincere caring and heartfelt concern.

“Love every morsel of the people in your life.” – Jennifer Merendino

(Muito obrigado ao meu  amigo Jorge Cravo – fotógrafo competente e musicólogo atento – que me indicou o caminho até este trabalho notável)