António Machado (1875-1939)

António Machado, andaluz de Sevilha, integrante do movimento que ficou conhecido como a geração de 98, fez da sua poesia “uma profunda palpitação do espírito”, íntima, despojada  e desprovida de retórica. Cantou lembranças e impressões da juventude (Soledades, 1902), a alma do deserto castelhano (Campos de Castilla, 1912), o amor à sua mulher, a vida, a morte, Deus. A sua obra posterior, nomeadamente as Nuevas Canciones (1924), é de inspiração mais filosófica. Empenhado politicamente, apoiante activo da Republica, viria a morrer no exílio, em Collioure, perto da fronteira espanhola, junto ao seu Mediterrâneo.

A Poesia maior de António Machado ganhou uma outra divulgação e projecção quando alguns dos seus poemas foram musicados por Joan Manuel Serrat, no lindíssimo Dedicado a António Machado, poeta” de 1969. O disco trouxe, finalmente, ao conhecimento do grande público (ironias da cultura de massas …) o extraordinário Cantares , que se tornou numa das bandeiras maiores da carreira de Serrat. Limitando a busca no Google à combinação de Serrat e Cantares, teremos perto de 160.000 resultados, pelo que a escolha é vastíssima. Vejam, por exemplo, esta interpretação no Festival de Viña del Mar, em 1993.

Cantares

Todo pasa y todo queda,
pero lo nuestro es pasar,
pasar haciendo caminos,
caminos sobre el mar.

Nunca perseguí la gloria,
ni dejar en la memoria
de los hombres mi canción;
yo amo los mundos sutiles,
ingrávidos y gentiles,
como pompas de jabón.

Me gusta verlos pintarse
de sol y grana, volar
bajo el cielo azul, temblar
súbitamente y quebrarse…

Nunca perseguí la gloria.

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.

Al andar se hace camino
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.

Caminante no hay camino
sino estelas en la mar…

Hace algún tiempo en ese lugar
donde hoy los bosques se visten de espinos
se oyó la voz de un poeta gritar
“Caminante no hay camino,
se hace camino al andar…”

Golpe a golpe, verso a verso…

Murió el poeta lejos del hogar.
Le cubre el polvo de un país vecino.
Al alejarse le vieron llorar.
“Caminante no hay camino,
se hace camino al andar…”

Golpe a golpe, verso a verso…

Cuando el jilguero no puede cantar.
Cuando el poeta es un peregrino,
cuando de nada nos sirve rezar.
“Caminante no hay camino,
se hace camino al andar…”

Golpe a golpe, verso a verso.

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