Pearl Harbor – 7 de Dezembro de 1941

Circula há algum tempo na net, sem créditos de autor e sob variantes diversas, um conjunto de imagens extraordinárias da manhã de Domingo, dia 7 de Dezembro de 1941, em Pearl Harbor, na Ilha de Oahu, Havaii.

Mais precisamente, do ataque lançado pelas forças japonesas comandadas pelo Almirante Nagumo à frota americana estacionada do porto. O ataque danificou ou destruiu 11 navios e 188 aviões e matou 2403 militares americanos e 68 civis. Pearl Harbor marcou a entrada dos EUA na II Guerra Mundial e, desta maneira, mudou o curso da História.

Segundo se afirma, estas imagens, não reveladas, estavam numa câmara Brownie, esquecida dentro de um armário desde 1941, pertença de um marinheiro do USS Quapaw ATF-110.

O imaginário do registo-perdido-e-agora-encontrado é bonito, mas dificilmente credível. Por várias razões, umas técnicas, outras factuais, outras físicas –

  • O USS Quapaw ATF-110 teve, de facto, uma longa e reconhecida carreira militar, iniciada na II Guerra Mundial, continuada na Coreia e terminada no Vietnam. Contudo, construído entre 1942 e 1943 nos estaleiros de Alameda, Califórnia, apenas se fez ao mar em Maio de 1944. Difícil, por isso, que o alegado proprietário da Brownie integrasse a guarnição do Quapaw ATF-110 em 1941.
  • A primeira Kodak Brownie (gastem 5 minutos e vejam esta deliciosa retrospectiva histórica da Brownie) foi lançada em 1900, ao extraordinário preço de $1 (um dólar). Era portátil e tão fácil de usar que se tornou um enorme sucesso, mesmo para as crianças. Inovou, ainda, na publicidade, fidelização e dependência da marca (algo que as marcas de equipamento fotográfico continuam a fazer muito bem até hoje…). Quarenta anos depois, a Brownie tinha, obviamente, evoluído e melhorado mas era, ainda, uma câmara básica e popular, com opções de abertura e velocidade de obturação muito limitadas.
  • Para além das limitações técnicas da Brownie, os filmes (mesmo os da Kodak, incontestada lider de mercado e inovação) tinham, em 1941 gamas de sensibilidade reduzidas e pouco dinâmicas. 
  • Acresce que um filme numa câmara, guardada durante anos num armário, supostamente num navio de guerra, dificilmente teria as condições de conservação, que lhe permitissem sobreviver por mais de 60 anos.
  • Para além disso, as imagens são, visivelmente, de qualidade, técnica fotográfica, distâncias focais, nitidez e contraste tão diferentes que dificilmente poderão ter sido feitas com o mesmo equipamento e com o mesmo filme .
  • Finalmente, os enquadramentos são tão diversos que seria manifestamente impossível a quem quer que fosse, deslocar-se, sob bombardeamentos severos e continuados, entre os diferentes pontos de tomada.

Independentemente da sua autoria, ficam as fotografias (genuínas e muitas delas, aliás, catalogadas nos arquivos da US Navy), documentos belíssimos e terríveis da manhã que mudou o curso da História do século 20.

Não percam, aqui mesmo  PEARL HARBOR

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