Chico Anysio (1931-2012)

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Este ano ainda não chegou a meio e já levou duas figuras maiores do humor brasileiro, o humorista Millôr Fernandes e o comediante Chico Anysio.

De Millôr, já falei há tempos. De Chico, aqui ficam recordados alguns dos aspectos principais da sua biografia e carreira.

Chico Anysio criou ao longo de 65 anos de carreira mais de 200 personagens, na rádio, na televisao, no palco, no cinema.

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Casou 6 vezes (uma delas Zélia Cardoso de Mello, Ministra das Finanças do Governo Collor, outra com Regina Chaves, que integrou As Frenéticas, outra ainda com a belíssima modelo Alcione Mazzeo), teve oito filhos. Foi sempre polémico, generoso, solidário, viveu amores e desamores. Influenciou gerações de comediantes e deixou um país de admiradores.

Orgulhoso das suas origens nordestinas, talhadas na luta agreste, travou uma dura batalha pela vida que acabou por perder no passado mês de Março, no Rio de Janeiro, aos 80 anos de idade.

Não tenho medo de morrer. Só acho uma pena, quando ainda tenho tanta coisa a fazer, para ver, tanto filho para ajudar, tanto neto. Mas não posso lutar contra o inevitável, disse já perto do fim.

Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho nasceu em Maranguape, no Ceará, e chegou ao Rio de Janeiro, com a família, aos 7 anos. O negocio do pai tinha falido.

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Queria, como todos os garotos dessa época, ser jogador de futebol do seu Vasco da Gama. A família pretendia que estudasse direito, um futuro advogado com melhores perspectivas de vida.

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O destino quis que acompanhasse a irmã a um teste para locutora da Radio Guanabara. Acabou por ele próprio prestar provas e ficar em segundo lugar, apenas atrás de um tal … Sílvio Santos.

Passou por várias rádios, no Recife e no RIo, onde fez de tudo. Apresentação, locução, imitações, comentários desportivos. Voltou ao Rio onde escreveu e dirigiu programas de grande sucesso (“A Rainha canta”, com Ângela Maria; “Rio de Janeiro a Janeiro”; “Buraco de Fechadura”; “Vai Levando”). Ao mesmo tempo, actuava em programas dos mais consagrados autores da época, Haroldo Barbosa, Antônio Maria e Sérgio Porto, entre outros

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E fez o programa que se tornaria um dos maiores sucessos da rádio, a “Escolinha do Professor Raimundo”. Com a fama ganha na rádio, Chico levou o professor Raimundo para a defunta TV Tupi.

Com direccao de Carlos Manga, nasceu o “Chico Anysio show”, talvez o mais conhecido dos seus programas televisivos, e plataforma para as suas futuras participacoes em “Essa noite se improvisa”, palco de duelos epicos entre Caetano Veloso e Chico Buarque e “Vamos Simbora”, com Wilson Simonal.

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No final dos anos 60, o “Chico Anysio só” teve 150 mil pessoas na audiencia ao vivo, nos oitos meses da temporada. Entre as personagens que entao criou, fizeram sucesso o coronel Pantaleão, Bozó, Alberto Roberto, Salomé, Painho e Justo Veríssimo.

Chico ficou na TVGlobo mais de 30 anos, onde comandou “Chico City”, “Chico Anysio Show”, “Chico total”, “O belo e as feras” e “A escolinha do professor Raimundo” (criada originalmente em 52). Manteve quadros no “Gente inocente!?” e “Zorra total”, que passou tambem em Portugal. Entrou nas novelas “Feijão maravilha” (1979), “Terra Nostra” (1999), “Sinhá Moça” (2006), “Pé na Jaca” (2006), e “Caminho das Índias” (2009).

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No cinema, actuou em “Tieta do Agreste” (1996), e “Se eu fosse você 2” (2008).

Foi autor de vários livros humorísticos, “O telefone amarelo”, “O batizado da vaca”, “A curva do calombo” e “É mentira, Terta”, e do romance “Carapau”.

Cultivou a pintura, com algum reconhecimento publico na ultima fase da carreira.

A usa ligacao a musica e menos conhecida, mas nao menos relevante. Como compositor, cancoes suas foram gravadas por, entre outros, Dolores Duran. Como cantor, em parceria com Arnaud Rodrigues, formou a dupla Baianos e Novos Caetanos, e gravou um disco.

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Fez parte do juri do famoso Festival de Musica da TV Record de 1968, que acabou por ditar a prisão e posterior exílio em Londres de Caetano e Gil (Caetano cantou o inedito “Alegria, Alegria” e, vaiado pelo publico, acabou por gritar o manifesto ‘E Proibido Proibir”).

Curiosamente, Chico Anysio (que, alias, revelou anos depois que tinha votado em “Alegria, Alegria”) tentou de imediato intermediar o regresso de ambos ao Brasil, como conta o proprio Caetano-

“Chico Anysio me escreveu uma carta bem cedo, logo que eu tinha chegado a Londres. Respondi: “Chico, agradeço muito. Não há nada que eu queira mais do que voltar ao Brasil. Mas não quero dialogar com essas autoridades que trataram do jeito que me trataram….”. É a primeira vez que estou contando assim. Mas aconteceu. As cartas provavelmente estarão perdidas”

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Ficamos, de novo, todos mais tristes.
Que descanse em paz.

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