Contigo en la Distancia

A propósito da evocação do Bernardo Sassetti, voltei a recordar  Contigo en la Distancia, um bolero histórico do grande compositor cubano Cesar Portillo de la Luz  (n. La Habana, 1922).

Os boleros (e os filin, derivada do bolero com forte influência do jazz, evolução da trova cubana) que criou, foram depois interpretados por meio mundo, do jazz à world music.

Contigo en la Distancia conheceu dezenas e dezenas de versões, umas melhores outras piores. Mesmo os grandes interpretes, de Nat King Cole a Caetano Veloso, de Lucho Gatica a Vitorino, de Pablito Milanes a Plácido Domingo, de Luis Miguel a Maria Bethânia, de Christina Aguilera a … Lucrecia, todos fizeram a sua versão desta grande canção e cantaram estas palavras de César Portillo de la Luz –

No existe un momento del dia
En que pueda olvidarme de tí
El mundo parece distinto
Cuando no estás junto a mi

No hay bella melodia
En que no surjas tu
Ni yo quiero escucharia
Si no la escuchas tú

Es que te has convertido
En parte de mi alma
Ya nada me conforma
Si no estás tú tambiém

Más allá de tus labios
Del sol y las estrellas
Contigo en la distancia
Amada mía estoy

Para os “menos jovens” saltam concerteza as memórias de bailes e festas de aldeia, de salões recreativos a terreiros poeirentos, onde tantas vezes ouvimos   “Contigo en la Distancia”.

Para mim, os boleros são parte importante da banda sonora  de uma memoria afectiva da adolescência e dos ultimos anos que vivi nas  Caldas. Os bailes dos salões dos Bombeiros, da Sociedade Columbófila, dos Pimpões e, pelo Carnaval, do Hotel Lisbonense! tinham a sua dose garantida de marchas, sambas, um ou outro tango ou valsa, algum “yé-yé” e, claro, boleros.

Os “conjuntos de baile” eram “Os 5 Napolitanos”, “Os 6 Latinos” e outras formações de esforçados músicos amadores. Acabada a festa, os latinos, os napolitanos e todos os outros voltavam às suas profissões do dia-a-dia da província dos idos de 1970.

Por isso, ponham o volume no máximo, arrastem o sofá e vá de desenterrar lembranças e alinhar uns passos de bolero pela sala.

Aqui ficam algumas versões desta canção intemporal.


Lucho Gatica


Pablo Milanés 
(neste disco fantástico que se chama “Pablo Canta Boleros en Tropicana”)


Luis Miguel


Joan Manoel Serrat


Caetano Veloso
(no lindíssimo “Fina Estampa”, aqui com o bónus da imagem de Adriana Marques, no Central Park)

2 responses to “Contigo en la Distancia

  1. Fizeste me lembrar das “damas ao bufete”…e das belas iscas com elas…nas noites dançantes nas Sociedades de Cultura e Recreio…onde as mais “dificeis” só apareciam depois das 10h com toda a sua laca bem armada.
    E quanto ao ye..ye.. lá estaria o Victor Gomes e os seus Gatos Negros.
    Hoje em dia tenho muito cuidado a atravessar as ruas pois não quero ser tema de risada para qualquer malandrote que mal sabe ler o jornal…

  2. Era o tempo do clássico:
    “Fim de séééériiieee … damas ao bufete” !
    Abraços

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