De Nabi a Dou – A Longa Marcha



“Being electrocuted when I was two years old is the first thing I remember.”

“I like having a tradition and seeing how it can work with modern material, how it can translate into new ideas.”

“I find it extremely important to do what I do ‘beautifully’; not for beauty itself, per se, but more so as a tool that makes my ideas both interesting and workable.”

“I am looking for something bordering between the beautiful and the repulsive, living and dead. I want to attain the feeling of presence one can get when walking by a plastic manikin…”

Estas considerações são de um rapaz russo com uns escassos  29 anos de idade. É fotógrafo e, no meu conceito, artista digital. Pelo menos, é esse o resultado do seu trabalho. Entre outros prémios, em 2008 ganhou o “Photographer of The Year Award – Finearts” da International Photography e em 2009 o “Arte Laguna Art prize for Best Young Photographer”. A partir daí foi uma ascenção meteórica até aos grandes palcos mundiais da criatividade e da expressão artística, ao reconhecimento da crítica e ao sucesso comercial.

O rapaz é este, nasceu em Moscovo em 1983 e chama-se Oleg Dou.

Oleg Dou não pode estar mais distante de Qalam Nabi e da fotografia afegã. Ou mais próximo, tudo depende do nosso próprio conceito de fotografia e da largura do nosso espectro de tolerância.

Por norma e por princípio sou, pessoalmente, contra a manipulação digital de imagens, depois apresentadas como “fotografias”.

Aceito, defendo e pratico a melhoria, em pós-produção, da imagem captada. No fundo, o que todos queremos é que as nossas imagens reproduzam, o mais fielmente possível a nossa memória emocional.  O retoque de imagens sempre se fez, desde os primórdios da fotografia (recorde-se, por exemplo, a deliciosa ingenuidade das imagens pintadas afegãs). Por isso, acertar exposição, contraste, cor, luz, parece-me tudo normal e, até, desejável. O que a pós-produção não faz, tal como não o fazem os equipamentos de grande qualidade e preço correspondente, é transformar imagens más em imagens boas. A tecnologia não substitui, nem o dinheiro compra,  o “olhar do fotógrafo”, mas isso já é outra conversa.

Outra coisa, completamente diferente é a manipulação digital da imagem, a passagem da realidade para a imaginação. Não tenho nada contra, só resisto a chamar fotografia ao resultado final. Aí a criatividade não tem limites e … anything goes. Naquilo a que os americanos passaram a chamar  “Fine Art”, não há limites para a intervenção criativa.

No caso de Oleg, por exemplo, o trabalho que apresenta tem por base uma fotografia, deposi manipulada digitalmente. É arte digital e. como ele próprio diz,  “I try to create my personal aesthetics of the works, I try to combine reality with artificiality”.

Partindo de uma fotografia, o seu imaginário, muito particular, voa para longe, combinando as memórias de infância quando a família o obrigava a apresentar-se fantasiado de coelho branco perante os convidados insensíveis às lágrimas convulsivas do pequeno Oleg, que recriou na série “Toy Story”, com as referências à pintura renascentista que via nos livros dos pais e com as fotografias de crianças mortas, uma tradição russa do século 19, uma estranha fixação que reproduziu na sua série “Cubs”. Todo esse imaginário e essas referências, ele recupera digitalmente sob a designação de “Naked Faces”, o projecto que o catapultou para a ribalta.

Como o próprio Oleg conta, encontrou a sua técnica ao tentar usar o Photoshop, sem conhecer a aplicação. Numa base de tentativa e erro, acabou por ir tão longe que encontrou o mapa da mina. Tornou-se um mestre, tão grande, que o seu trabalho ilustra a imagem comercial da nova release, o Photoshop CS6. Há horas de sorte, o talento, a criatividade e o trabalho fazem o resto !

Oleg Dou, fixem este nome !

I have always been interested in human individuality and self-expression.

I have been creating different designs for many years. And I started photography in 2005 to mix it with design.

The “Naked Faces” project is devoted to relationship between human’s inner world with human’s behaviour in society. The society still restricts behaviour and thought of a human being.

This project is a kind of a protest that is to show that a person should remain who he is and that people should perceive him in the way he is. The persons presented in my works lack individuality: the eyebrowes and the eyelashes are removed, the skin is smoothed.

I have always been trying to make observers to be not indifferent to my pictures but it does not mean that emotions should only be positive – they can express both alarm, and fear, and tearing away.

Visially I am inspired by culture of fashion and surrealists. I often shock peple. I try to create my personal aesthetics of the works, I try to combine reality with artificiality.”

(Isabel, muito obrigado pela referência)

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