Steve McCurry, a Índia e eu

Em Abril deste ano, cumpri, de uma vez só, vários objectivos que há muito vinha perseguindo.

Esses objectivos eram, talvez até por esta mesma ordem, voltar à Índia, fazer mais um “field workshop” de fotografia e acompanhar um grande fotógrafo em acção.

Para o meu gosto pessoal e no registo fotográfico que persigo, o ideal seria Steve McCurry, talvez o maior “fotógrafo de realidade” dos nossos dias, a minha maior referência e outro dos meus “living heroes”. Creio que tenho todos os livros que publicou e conheço uma boa parte do seu trabalho. Por isso, mais ou menos por esta altura no ano passado, meti dedos ao teclado e procurei o que pudesse haver em termos de acções de formação do Mestre.

E, bingo !, expedição fotográfica de 10 dias ao Rajastão em Abril de 2012. Inscrevi-me com 8 ou 9 meses de antecedência e quase que contei os meses, depois as semanas e, por fim, os dias até à data da partida. E foram, realmente uns dias excepcionais, onde juntei o meu gosto por viajar, ao meu gosto pela fotografia e à minha paixão pela Índia.

O grupo era reduzido, 11 pessoas de 8 nacionalidades diferentes, de nível fotográfico bastante equivalente mas, curiosamente, com interesses e motivos fotográficos  variados.

Do trabalho de Steve McCurry não vou falar aqui, deixo para um post só a ele dedicado. Dos resultados, ainda menos, o reconhecimento mundial encarrega-se de o consagrar.

Fiquei foi a conhecer o método, ou melhor, o que ele quis mostrar do método. E aí, sim, vem o toque do génio que vê as imagens nascer antes de se formarem, que pressente as situações antes de acontecerem, que sabe, instintivamente, o que é (vai ser) uma boa imagem. E é, realmente, o instinto a comandar, uma vez que intervem muito pouco com o equipamento, fazendo um uso muito limitado das opções técnicas da máquina. Uma máquina, uma lente e um talento gigantesco.

Um bónus acrescido que tive durante a viagem foi o de Steve me ter emprestado o iPAD duas ou três vezes, o que me permitiu ver, com aquela qualidade de visualização, 3 ou 4 mil imagens, umas que conhecia, muitas que não. E é, realmente, impressionante a solidez, consistência e qualidade do trabalho que faz. Mesmo em registos menos conhecidos, como o retrato e estúdio ou a fotografia de publicidade.

Apesar de não ser um comunicador ou um formador de eficácia próxima do seu talento artístico, o simples facto de o observar e de lhe estudar os movimentos, as reacções, o “oportunismo” foram importantes para mim. Aprendi o que pude, tentei absorver o máximo que fui capaz e voltei satisfeito.

Com esta viagem e com as conversas que tive com Steve McCurry creio que me aproximei mais da linguagem fotográfica que procuro. De facto, como ele próprio diz, “se não é a minha imagem, não faço”, o que se traduz na busca do caminho e da identidade própria. Não estou ainda nesse ponto, até porque, não sendo (com muita pena) um viajante permanente mas sim episódico com tempo e orçamento curtos, tenho que aproveitar ao máximo as oportunidades que um lugar me oferece, mesmo que as condições fotográficas não sejam as ideais ou, sequer, as minhas preferidas. Mas, tenho uma ideia mais formada e mais focalizada do que é “a minha imagem”, que motivo, que enquadramento, que luz, que distância focal.

Desta viagem, seleccionei alguns retratos, que reuni agora num livro da Blurb.
A versão em papel estará disponível lá para o fim do mês, a versão ebook já está disponível no site da Blurb. O livro é este  e pode ser visto aqui

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  1. Pingback: Pirelli 2013 by Steve McCurry | Caixa Negra

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