Caminhos no Céu

 

“Saí pela janela e, cabeça baixa os pés ao alto,
Mergulhei simplesmente no ar fresco do sol posto.
Simplesmente fui caindo eternamente por segundos
Até voltar de pés ao chão a ser igual.
Igual, tive logo a sensação de não estar bem,
E um amigo que achara curiosa a fuga pelo espaço
Quando me viu normalmente chamá-lo
(- Ó pá! Como estás tu?!)
Disse-me: Estás com mau aspecto!
E eu disse-lhe: Adeus! Obrigado!
E, simplesmente regressei pelo ar a casa
Mas a pé, não a voar.
E ninguém deu por isso por não
Estarem acostumados a ver
Gente pelos caminhos do céu.”

José Blanc de Portugal, “Parva Naturalia”,1960

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