Oscar Niemeyer (1907 – 2012)

Óscar Niemeyer, In Memoriam

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O arquitecto Oscar Niemeyer morreu na noite de quarta-feira, aos 104 anos no Rio de Janeiro. Centenas de obituários, dezenas de homenagens, exposições e retrospectivas, livros, ensaios e cátedras multiplicar-se-ão pelo mundo.

De Paris e do trabalho com Le Corbusier, a NY onde projectou a sede das ONU, à Brasilia, cidade  saída da sua prancheta, a Niterói e ao Museu de Arte Moderna, a todo o seu amado Brasil, e aos lugares do Mundo onde espalhou o seu talento feito traço curvo.

O Brasil, a Arte, a Humanidade perderam um génio maior.

E quem melhor para homenagear Niemeyer que o próprio Oscar, com palavras e esquiços. R.I.P.

Niemeyer por Óscar

Auto-retrato

“Diria que sou um ser humano como outro qualquer – que nasceu, viveu e morreu. Sou um homem comum – que trabalhou como todos os outros. Passou a vida debruçado sobre uma prancheta. Interessou-se pelos mais pobres. Amou os amigos e a família. Nada de especial. Não tenho nada de extraordinário. É ridículo esse negócio de se dar importância”

Paixão pelo desenho

“Eu tinha 5, 7 anos e ficava desenhando com o dedo no ar. Minha mãe perguntava: ‘menino, o que você está fazendo’? Estou desenhando. Eu gosto de desenhar figuras. Eu faço uma escultura, eu desenho no ar. Eu faço um desenho e construo ele no ar”

Projeto de um estádio para a Copa de 2014

“Eu ia seguir o conselho de João Saldanha. O estádio tem que ser mais vertical, para aproximar o público mais do campo. Ia ser bonito, ia ser confortável. Tem que criar uma surpresa, tem que ter emoção e ser uma obra de arte”

Comunismo

“Fui sempre um revoltado. Da família católica eu esquecera os velhos preconceitos, e o mundo parecia-me injusto, inaceitável. Entrei para o partido comunista, abraçado pelo pensamento de Marx que sigo até hoje”

Conjunto da Pampulha

“Era um protesto que eu levava como arquiteto, de cobrir a igreja da Pampulha de curvas, das curvas mais variadas, essa intenção de contestar a arquitetura retilínea que então predominava”

Curvas

“Não é o ângulo reto que me atrai. Nem a linha reta, dura, inflexível criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu país. No curso sinuoso dos sentidos, nas nuvens do céu. No corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo”

A vida

“A vida é um sopro, um minuto. A gente nasce, morre. O ser humano é um ser completamente abandonado…”

Solidariedade

“A vida não é justa. E o que justifica esse nosso curto passeio é a solidariedade”

Dinheiro

“Meu avô, que foi ministro do Supremo Tribunal, morreu sem um tostão. Achei bonito ele morrer assim. Já disse que teria vergonha de ser um homem rico. Considero o dinheiro uma coisa sórdida”

Brasília

“Nós começávamos a imaginar quando é que Brasília iria surgir. De repente, aparecia uma mancha azul no horizonte. Ela ia crescendo. Depois apareciam os contornos e começávamos a dizer: ali é o Teatro, lá é o Congresso, a Torre. Brasília surgia como num passe de mágica, um milagre”

Medo de avião

“Valeu a pena vir até do Rio de Janeiro a Brasília de carro, era quase uma obrigação vir aqui” (apos viajar mais de 11 horas de carro, para ir do Rio a Brasília, aos 101 anos)

Projetos de igrejas

“As pessoas se espantam pelo fato de, mesmo sendo comunista, me interessar pelas igrejas. E a coisa é tão natural. Eu morava com meus avós, que eram religiosos. Tinha até missa na minha casa. E eu fui criado num clima assim. Esse passado junto da família me deixou com a ideia de que os católicos são bons, que querem melhorar a vida e fazer um mundo melhor”

Sambódromo

“O Sambódromo é uma obra que quase dispensa explicação. Tem uma avenida central, que tem 700 metros e tem uma arquibancada dos dois lados. Então o importante é que funcione bem, que a visibilidade seja perfeita”

Centenário

“Cem anos é uma bobagem, depois dos 70 a gente começa a se despedir dos amigos. O que vale é a vida inteira, cada minuto também, e acho que passei bem por ela”

Arquitetura

“O que nós queremos na arquitetura, com a mudança na sociedade, não é nada especial. As casas de luxo serão menores. Os grandes empreendimentos urbanos, os cassinos, os teatros, os museus. Tudo isso será maior ainda porque todos deles poderão participar. Não basta fazer uma cidade moderna. É preciso mudar a sociedade”

Traços

“Faço arquitetura que me agrada, uma arquitetura ligada às minhas raízes e ao meu país”

Diferença

“Minha preocupação sempre é fazer uma coisa diferente, que provoque surpresa”

Pessimismo

“Sou pessimista diante da idéia de que o homem, quando nasce, já começa a morrer, como notou Jean Paul Sartre. Mas, na vida, caminhamos rindo e chorando o tempo todo: é preciso, então, aproveitar o lado bom da vida, usufruir o melhor possível e aceitar os outros como eles são. Sempre digo: o importante é o homem sentir como é insignificante, é o homem olhar para o céu e ver como somos pequeninos. Ultimamente, no entanto, tenho me espantado como a inteligência do homem é fantástica! Tenho conversado sobre astronomia. Como é imprevisível o que ele pode criar!”

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