Razōes que a (Minha) Razão Desconhece

Uma fotografia panorâmica do Rio Reno, na Alemanha, foi leiloada em Nova Iorque, na terça-feira, e vendida ao valor mais alto de sempre – 4,3 milhões de dólares !

“Reno II”é uma criação de Andreas Gursky, um aclamado fotógrafo alemão conhecido especialmente pelas suas paisagens fotográficas.

A imagem, de 1999, faz parte de um conjunto de seis fotografias, quatro das quais estão espalhadas pelo Museu de Arte Moderna em Nova Iorque e pelo Tate Modern, em Londres.

A Christie’s, a empresa leiloeira, esperava angariar entre 2,5 a 3,5 milhões de dólares pela fotografia de 206 x 356 cm, mas acabou por conseguir 4,3 milhões, tornando-a na impressão fotográfica mais cara de sempre.

O nome do comprador da fotografia não foi revelado pela empresa do leilão.

O elevado valor da venda deixou para trás “Untitled#96” – a foto de Cindy Sherman – a mais cara vendida até então, por 3.9 milhões de dólares.

20130221-212246.jpg

Pois, ele há coisas em forma de assim, como diria o O’Neill.

Pela minha parte, enquanto modesto fotógrafo e “consumidor” de fotografia, confesso não entender o fascínio mercantil por Gursky e, muito menos, por esta fotografia em particular. Se, por alguma razão extraordinária, me fosse cometido o encargo de reunir uma colecção representativa dos 50 (ou mesmo 100) maiores fotógrafos mundiais ou se me fosse pedido que identificasse as 100 (ou mesmo 200 ou 300) fotografias que marcam a história desta expressão artística, tenho por certo e adquirido que não incluiria Gursky.

Em relação a esta imagem a coisa piora, porque não encontro um único motivo de interesse.

Não vejo técnica, não vejo composição, não vejo emoção, não vejo momentum, não vejo nada ! Parece-me, apenas e só, (mais) um exercício de pseudo-intelectualidade bacoca, infelizmente tambem a norma vigente cá pelo burgo.

Vamos ao acid test: sem conhecer o autor – muito menos o “valor” comercial artificialmente criado por um mercado fortemente condicionado e dirigido – alguem teria esta imagem orgulhosamente pendurada na sala? A não ser que fosse, e poderia bem ser, a primeira fotografia das férias que o Zézinho tirou com a máquina que o avô lhe ofereceu quando fez 12 anos.

O Rei vai certamente nu. Ou talvez a limitação seja minha.

(com um grande abraço ao meu amigo Jorge Cravo)

3 responses to “Razōes que a (Minha) Razão Desconhece

  1. Do alto da minha ignorância fotográfica, não poderia estar mais de acordo.

  2. A minha razão desconhece a razão…gostei da referência ao ‘Zézinho’….

  3. Não vale o dinheiro… lol

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