Grafitos em Lisboa

Tenho um gosto muito particular pela “street art” e, nomeadamente, pelos grafitos.

Os grafitos viveram séculos na margem da legalidade desde a Antiguidade, do Egipto, à Grécia e ao Império Romano, até à mensagem de intervenção política e social dos nossos dias. (Pessoalmente, lembro-me bem dos belíssimos murais pintados pelo MRPP nos idos de 70, desaparecidos com o tempo e que, a meu ver, deveriam ter sido protegidos, enquanto documentos de uma época histórica e política).

Começam agora a ganhar o seu espaço próprio na arte urbana contemporânea e, como em quase tudo na vida, há o bom e o mau, há arte e puro vandalismo, há bom e mau gosto. Sendo uma discussão actual, dada a proliferação da simples poluição visual como forma de desordem, parece-me que a utilização de espaços públicos como suporte de expressão artística deveria estar regulada. Assim se conseguiria a preservação desta forma de arte, garantindo aos seus autores o devido reconhecimento público.

Se hoje o artista mais conhecido talvez seja Bansky, é curioso lembrar que Jean-Michel Basquiat e Keith Haring, por exemplo, começaram por ser notados pelas suas intervenções de arte urbana em NY até se tornarem dos artistas plásticos mais influentes do século XX. Muitos outros, saltaram do grafito para o fashion design (toda a produção associada ao skateboard, por exemplo, desde as pranchas, aos sapatos e ao vestuário), para as galerias de arte ditas “convencionais”, ou para a ilustração gráfica. O caso de sucesso mais flagrante talvez seja o dos franceses 123Klan que, mantendo a sua linha inicial, acabaram por trabalhar para as maiores marcas mundiais, desde a Nike à Coca-Cola e desde a Lamborghini à Sony.

Nem todos, contudo, chegam ao reconhecimento internacional, à glória artística e ao sucesso comercial. Alguns permanecem anónimos e desconhecidos, por falta de oportunidades, que não por falta de talento.

Vem tudo isto a propósito de uma extraordinária parede de grafitos em Lisboa, executada por artistas que infelizmente não conheço e não posso aqui nomear, mas cujo imenso talento que esmaga de cada vez que lá passo.

Fica na Rua das Murtas e talvez a melhor referência seja o Hospital Júlio de Matos, na Avenida do Brasil. A Rua das Murtas contorna todo o espaço ocupado pelo Hospital e pelo Centro de Saúde de Alvalade.

Acreditem que vale a pena uma visita. Ora vejam –

Fotografias: João Martins Pereira

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