Kiev (II)

Volto às imagens de Kiev, uma cidade bandeira de um país à beira de uma guerra civil.

Volto às imagens das ruas por onde tantas vezes andei pacificamente, acolhido por um povo bom, abnegado e generoso, agora transformadas num horrível campo de batalha.

Volto às memórias da Maidan Nezalezhnosti, orgulho da cidade, que diariamente cruzei, hoje terra queimada. Recupero o texto que escrevi para a extinta revista “Outras Coordenadas”, inserido num roteiro de A-Z de Kiev, e que, se tiverem interesse, poderão encontrar na página de “Imprensa” do meu site JMPhoto

Maidan Nezalezhnosti, ou a Praça da Independência (designação que adquiriu após 1991, com a independência política do país), porventura a praça mais emblemática de Kiev. Atravessada pela Kreschatik, a Praça da Independência é um ponto incontornável da vida da cidade, albergando desfiles, paradas, concertos, manifestações de vária ordem e hordas de turistas. Tal como a Kreschatyk, a praça foi severamente danificada durante a 2ª Guerra e posteriormente reconstruída ao estilo soviético, com edifícios imponentes como o Hotel Ukraina ou a Estação Central de Correios. Tornou-se internacionalmente (re)conhecida por ser o centro de dois movimentos políticos de massas, a “Ucrânia sem Kuschma” e a posterior “Revolução Laranja”, motores das alterações políticas e sociais que se seguiram. O famoso primeiro discurso de Viktor Yuschenko como Presidente eleito teve, simbolicamente, lugar nesta belíssima praça. Renovada a partir de 2001, numa obra não isenta de polémica e contestação, a sua decoração tradicional com seis fontes e a bela coluna que suporta a estátua do protector de Kiev, o Arcanjo Miguel, foi substancialmente alterada. Exibe, ainda, monumentos aos míticos fundadores de Kiev, os irmãos Kyi, Schek e Khoryv, ao Cossaco Mamay, herói do folclore nacional, e a estátua
evocativa de uma mais recente descoberta, Berehynia, uma obscura deusa eslava, protectora do lar e símbolo da sociedade matriarcal.

E penso quantas destas pessoas terei conhecido, com quantas me terei cruzado nas margens do Dnipro, nas galerias de arte da Spusk, nas bancas de caviar do Mercado Bessarabsky, na plateia da Ópera, nas manhãs de domingo na Kreschakyk, nas bancadas de madeira do estádio do Dynamo, nas noites do Cowboy Bar ou do Havana Club. Penso nos amigos que deixei.

Kiev é, hoje, a cidade da minha tristeza.

A pro-European integration protester takes cover behind a makeshift shield at the site of clashes with riot police in Kiev

Ukraine Protests

Pro-European integration protesters gather in front of burning tyres during clashes with riot police in Kiev

REUTERS PICTURE HIGHLIGHT

TOPSHOTS-UKRAINE-EU-RUSSIA-UNREST-POLITICS-DEMO

Pro-European integration protesters gather at the site of clashes with riot police in Kiev

Ukraine Protests

Ukraine Protests

Ukraine Protests

People gather at the the site of clashes between pro-European integration protesters and riot police in Kiev

TOPSHOTS-UKRAINE-EU-RUSSIA-UNREST-POLITICS

Fotografias: The Washington Post, vários autores

2 responses to “Kiev (II)

  1. Fotografias arrepiantes!

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