Unadorned by Julia Fullerton-Batten ou A Polaroid de Rubens

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É como se Rubens tivesse uma Polaroid.

Ou como se os Velhos Mestres da Holanda puxassem das suas Leicas, Nikons e Canons, trocassem de lente conforme as conveniências, seleccionassem aberturas, distâncias focais, velocidades de disparo, sensibilidades e  compensações de exposição. Fizessem provas e tentativas, à razão das centenas em minutos. Ainda por cima, voltariam ao atelier e teriam Photoshops, Lightrooms, Apertures e outros que tais com que, ao quente da lareira acesa e vista solta sobre os campos da Flandres, poderiam corrigir algumas imperfeições da obra criada. E torná-la-iam instantaneamente conhecida de todo o Mundo .

(seria pintura ou fotografia ? e será que a distinção importa, quando se trata de arte e talento ?)

Mas, agora, as formas  generosas dos modelos de Rubens, a luz mágica de Vermeer, o perfeição dos retratos de Rembrandt, as composições vibrantes de Hals voltam à vida com o projecto “Unadorned” de Julia Fullerton-Batten.

A fotógrafa recupera neste trabalho a eterna angústia da procura do padrão estético socialmente aceite e das variações drásticas que sofreu ao longo dos séculos. Leiam, a este propósito, o texto de apresentação do projecto Unadorned, parcialmente reproduzido abaixo.

De facto, o padrão de beleza socialmente favorecido manteve-se durante séculos assente na evidência física do bem-estar económico. A riqueza era ostentada pelo volume do corpo e o excesso era não só apreciado, como invejado, estética e economicamente. À escala doméstica, o nosso “gordura é formosura”.

A estética dominante alterou-se entre os anos 50 e 60 do século passado (já Wallis Simpson dizia que “a women can never be too rich or too thin”), muito influenciada pelos ditames da moda,  veio introduzir o culto da magreza e, como todas as tendencias descontroladas,  ao exagero extremo das desordens alimentares e à diabolização das formas redondas e do peso excessivo.

O trabalho de Julia Fullerton-Batten vem reabrir a discussão do conceito estético fora da norma dominante.  De uma certa forma de beleza alternativa que, ainda que não consensual, leva à pacificação interior.

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