Tag Archives: música

All that Jazz

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Fotografia: JMPhoto

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Suite para Gronho e Gaivota

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Suite para Gronho e Gaivota (usurpada de Ludovico Enaudi)

Foz do Arelho
Fotografia: JMPhoto

Nikolaj Lund

Nikolaj Lund, um fotógrafo musical ou um músico fotográfico. Juntando os seus dois maiores interesses (ou a versão dinamarquesa de “eu tenho dois amores”), tem um trabalho criativo e, seguramente, original.

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Based in Aarhus, Denmark, I am an internationally acclaimed photographer specializing in portraying classical music.

I have always had two big passions, classical music and photography, which first lead to a Master’s degree in cello performance in 2006. In 2008, I decided to put all my effort into photography. A decision I have never regret!

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Some Like it Hot

I got a fever
An inflammation
That’s what I got
You turn the heat on me
Some like it hot
Look what you started
A conflagration
Baby, that’s what
Don’t let the flame go out
Some like it hot
Oh baby, I’m from that old school
I’ll play it real cool
But when you kissed me
I lit up
Like a four alarm fire
Call out the engine
Ring up the station
I’m on the spot
Love burns you up the most
Like it or not
But baby, I like it hot

(Marilyn Monroe)

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Fotografia: JMPhoto

Uma delícia …

Apenas para iniciados …

Horácio, o filho de João da Silva

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Partiu Horace Silver, figura maior do jazz, fundador do hard bop, construtor de pontes para outras músicas, explorador de caminhos para outros ritmos, pintando (ainda) mais cores na exuberante policromia do jazz.

A nós, toca-nos mais de perto porque, filho de caboverdiano, Horace foi muito influenciado pelas toadas de morna e coladera com que os familiares recordavam o som di terra. Sodade.

Dessa memória musical resultaram dois discos que, só por si e se mais nāo houvesse, colocariam Horace no panteão do jazz. Os fundamentais “Song for my father” e “The Capeverdian Blues”.

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Conheci primeiro as mornas de S. Vicente e as coladeras da Praia, que frequentei incansavelmente durante os mais de dez anos em que, desde o principio da década de 80, fui regularmente a Cabo Verde.

Cheguei ao jazz mais tarde e foi, precisamente, o piano crioulo de Horace Silver a chave que me abriu muitas das suas portas.

Que descanse em paz.

Entre as muitas evocações do génio de Horace Silver, aqui fica a de Mário Lopes, no Público.

Começou por ser saxofonista no Connecticut natal, mas seria já depois de trocar o saxofone pelo piano e Connecticut por Nova Iorque que Horace Silver começou a destacar-se e a iniciar um percurso que o preservou como um dos fundadores do hard bop e um músico que, pela elegância e simplicidade melódica e pela dinâmica cativante do ritmo, se tornaria uma referência no final da década de 1950 e na seguinte.

Nascido Horace Ward Martin Tavares Silva a 2 de Setembro de 1928, Silver tocou com gigantes como Stan Getz, o primeiro a reconhecer-lhe o talento, Miles Davis ou Lester Young. Fundou os muito influentes Jazz Messengers com Art Blakey, e ajudou a revelar talentos como o saxofonista Joe Henderson, o trompetista Art Farmer ou o baterista Billy Cobham.

Filho de um cabo-verdiano imigrado nos Estados Unidos, John Tavares Silva, operário numa fábrica de borracha e multi-instrumentista (violino, mandolim) que seria influência musical marcante (o clássico Song for my father inspira-se nas tardes passadas a ouvir o pai e o tio tocarem mornas e coladeras), o pianista morreu de causas naturais esta quarta-feira na sua casa em New Rochelle, Nova Iorque, adiantou o seu único filho, Gregory, à NPR. Horace Silver tinha 85 anos.

“Pessoalmente, não acredito em política, ódio ou fúria na minha composição musical. A música deve levar felicidade e alegria às pessoas e fazê-las esquecer os seus problemas”, escreveu no texto de acompanhamento de Serenade to a Soul Sister, álbum editado em 1968. Na década seguinte, iríamos encontrá-lo a procurar dar voz a essa necessidade, quando gravou uma série de três álbuns conhecida como The United States of Mind, os primeiros em que trabalhou de forma continuada com a voz, incluindo a sua, e que reflectiam um desejo de autodescoberta espiritual através da música.

Os discos, editados entre 1970 e 1972, não foram consensuais, quer junto da crítica, quer junto daqueles que acompanhavam há muito a sua música. Reflectiam o seu desejo de mudança num mundo que, também ele, mudava rapidamente. Porém, Horace Silver é celebrado como um dos grandes nomes do jazz pelo que fizera antes. Outras mudanças: é um dos nomes fundadores do hard-bop, ramificação do revolucionário bebop que, apropriando-se do rhythm’n’blues ou do gospel, colocava a ênfase no ritmo e numa maior simplicidade harmónica. Foi neste período que criou alguns dos seus temas mais famosos, como Filthy McNasty, The Preacher, Sister Sadie, a latina Señor blues ou a supracitada Song for my father.

Começava a fazer o seu nome enquanto pianista no circuito local quando, aos 22 anos, Stan Getz ouve o seu trio no clube Sundown, em Hartford. Trabalharia com o saxofonista durante cerca de um ano, antes de se mudar para Nova Iorque, onde não tardaria a tornar-se músico requisitado pela fervilhante comunidade jazz da cidade, trabalhando com Coleman Hawkins ou Lester Young. Em 1953, fundava com o baterista Art Blakey os Jazz Messengers que, com a sua formação de trompete, saxofone tenor, piano, contrabaixo e bateria, viriam a ser o standard para a instrumentação hard-bop, escrevia ontem Peter Keepnews no obituário publicado pelo New York Times. Keepnews destaca o estilo peculiar de Silver: “Improvisando com destreza motivos engenhosos com a sua mão direita enquanto atacava sonoras linhas de baixo com a esquerda, conseguia evocar simultaneamente pianistas de boogie-woogie como Meade Lux e beboppers como Bud Powell. Porém, ao contrário de muitos pianistas bebop, Silver enfatizava a simplicidade melódica sobre a complexidade harmónica”.

Horace Silver manter-se-ia com os Jazz Messengers durante dois anos e meio, antes de formar o seu quinteto, inicialmente composto pela mesma formação dos Messengers, com excepção de Art Blakey, substituído pelo então muito jovem Louis Hayes. Seria enquanto líder que gravaria álbuns como 6 Pieces of Silver (1956), Blowin’ the blues away (1959), Song for my father (1965) ou The Cape Verdean Blues (1965), todos eles editados pela Blue Note, a mítica casa discográfica à qual esteve ligado entre 1955 e 1980.

Um dos nomes mais célebres do jazz em palco e em disco durante a década de 1960, com o groove do seu hard-bop a servir como banda-sonora perfeita para o período (influência transversal: os Steely Dan criaram o seu maior sucesso, Rikki, dont’t lose that number, sobre a linha de baixo de Song for my father), Horace Silver manter-se-ia bastante activo em palco e em estúdio nas décadas que se seguiram. No início dos anos 1980, fundou a Silveto, editora de vida curta, antes de prosseguir carreira com álbuns para a Impulse!, Verve ou Columbia.

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Chuva de Prata

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Fotografia: João Martins Pereira

Há associações de ideias inesperadas e, por alguma razão, selectivas.

Uma destas tardes de sábados de frio lá fora, com a lareira a puxar à sonolência, a chuva a bater na janela chegou-me em forma de música. E podia ter-me feito lembrar originais e versões com chuva, em diversos ritmos, melodias, géneros, cores e quantidades –

  • Chuva – Rain (The Beatles)
  • Muita Chuva – Rain, Rain (Cher)
  • Chuva às Cores – Purple Rain (Prince), Red Rain (Peter Gabriel)
  • Chuva Musical – Singing in the Rain (Gene Kelly), The Rain Song (Led Zeppelin)
  • Chuva Torrencial – A Hard Rain’s A-Gonna Fall ou Buckets of Rain (Bob Dylan)
  • Chuva de Fogo – Fire and Rain (James Taylor)
  •  Chuva Interior – Raining in my Heart (Buddy Holly)
  • Chuva Rara – Have You Ever Seen Rain (Credence Clearwater Revival)
  • Chuva Fria – Cold Rain and Snow (Grateful Dead)
  • Chuva Em Espécie – It’s Raining Men(Gloria Gaynor)

Mas lembrei-me foi de uma chuva preciosa, em português trans-oceânico, em forma de Chuva de Prata, um original de Ed Wilson e Ronaldo Bastos.

Foi gravado por Gal Costa em 1984, no álbum “Profana”, já lá vão 30 anos …

Talvez as profecias de João Gilberto, Caetano Veloso ou Torquato Neto, entre outros, não se tenham cumprido integralmente, ou talvez não sejam facilmente aceites por todos.

João, logo no primeiro encontro, em Salvador, com uma, ainda então, Maria da Graça, sem carreira firmada na juventude dos seus 18 anos, não teve duvidas: “Gracinha, você é a maior cantora do Brasil”

Caetano, tambem nos idos de 60, tambem em Salvador e tambem ao primeiro encontro com Maria da Graça Penha e Costa, a Gracinha depois Gal, já havia sentenciado que “com essa voz, essa menina será a  melhor cantora do Brasil

Torquato Neto, nos anos 70, ajudou à festa de coroação de Gal ao ouvir o album Fa-Tal.

As escolhas de repertório de Gal talvez não tenham sido sempre as mais felizes ou as mais consistentes. Mas, para mim, e que me perdoe a memória de Elis, Gal é mesmo a maior cantora do Brasil.