Sophia by Einsenstaedtk

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No ano em que completa 80 anos de idade, Sophia Loren lançou a sua autobiografia.

Para alem de ter reunido uma fotogaleria muito interessante, o Observador descobriu uma pérola (ou melhor, falando da Loren, um colar de pérolas). Uma série de belissimas fotografias da diva, feitas nos ans 60 em Itália por Alfred Einsenstaedt para a Life. Algumas das imagens nunca foram sequer publicadas, sendo, por isso, raras.

Podem ver as restantes imagens aqui.

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Balada de Lisboa

Balada de Lisboa
Em cada esquina te vais
Em cada esquina te vejo
Esta é a cidade que tem
Teu nome escrito no cais
A cidade onde desenho
Teu rosto com sol e Tejo

Caravelas te levaram
Caravelas te perderam
Esta é a cidade onde chegas
Nas manhãs de tua ausência
Tão perto de mim tão longe
Tão fora de seres presente

Esta e a cidade onde estás
Como quem não volta mais
Tão dentro de mim tão que
Nunca ninguém por ninguém
Em cada dia regressas
Em cada dia te vais

Em cada rua me foges
Em cada rua te vejo
Tão doente da viagem
Teu rosto de sol e Tejo
Esta é a cidade onde moras
Como quem está de passagem

Às vezes pergunto se
Às vezes pergunto quem
Esta é a cidade onde estás
Com quem nunca mais vem
Tão longe de mim tão perto
Ninguém assim por ninguém

Manuel Alegre, in “Babilónia”

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Fotografia: JMPhoto

O Homem dos Sete Instrumentos

Chegou o homem dos 7 instrumentos
sua cantiga aos 4 ventos repartiu
às duas por três chegou
e às duas por três partiu
segue para a rosa-dos-ventos
segue para a rosa-dos-ventos
chegou o homem dos 7 instrumentos

Sérgio Godinho (excerto)

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Fotografia: Karlova Most, Praga – JMPhoto

Os Pássaros de Londres

Os Pássaros de Londres

Os pássaros de Londres
cantam todo o inverno
como se o frio fosse
o maior aconchego
nos parques arrancados
ao trânsito automóvel
nas ruas da neve negra
sob um céu sempre duro
os pássaros de Londres
falam de esplendor
com que se ergue o estio
e a lua se derrama
por praças tão sem cor
que parecem de pano
em jardins germinando
sob mantos de gelo
como se gelo fora
o linho mais bordado
ou em casas como aquela
onde Rimbaud comeu
e dormiu e estendeu
a vida desesperada
estreita faixa amarela
espécie de paralela
entre o tudo e o nada
os pássaros de Londres

quando termina o dia
e o sol consegue um pouco
abraçar a cidade
à luz razante e forte
que dura dois minutos
nas árvores que surgem
subitamente imensas
no ouro verde e negro
que é sua densidade
ou nos muros sem fim
dos bairros deserdados
onde não sabes não
se vida rogo amor
algum dia erguerão
do pavimento cínzeo
algum claro limite
os pássaros de Londres
cumprem o seu dever
de cidadãos britânicos
que nunca nunca viram
os céus mediterrânicos

Mário Cesariny

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Fotografias: Londres,  JMPhoto

To New York

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Andanças - NY

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Fotografias: JMPhoto

To New York

Léopold Sédar Senghor
(trad Melvin Dixon)

(for jazz orchestra and trumpet solo)

New York! At first I was bewildered by your beauty,
Those huge, long-legged, golden girls.
So shy, at first, before your blue metallic eyes and icy smile,
So shy. And full of despair at the end of skyscraper streets
Raising my owl eyes at the eclipse of the sun.
Your light is sulphurous against the pale towers
Whose heads strike lightning into the sky,
Skyscrapers defying storms with their steel shoulders
And weathered skin of stone.
But two weeks on the naked sidewalks of Manhattan—
At the end of the third week the fever
Overtakes you with a jaguar’s leap
Two weeks without well water or pasture all birds of the air
Fall suddenly dead under the high, sooty terraces.
No laugh from a growing child, his hand in my cool hand.
No mother’s breast, but nylon legs. Legs and breasts
Without smell or sweat. No tender word, and no lips,
Only artificial hearts paid for in cold cash
And not one book offering wisdom.
The painter’s palette yields only coral crystals.
Sleepless nights, O nights of Manhattan!
Stirring with delusions while car horns blare the empty hours
And murky streams carry away hygenic loving
Like rivers overflowing with the corpses of babies.

II
Now is the time of signs and reckoning, New York!
Now is the time of manna and hyssop.
You have only to listen to God’s trombones, to your heart
Beating to the rhythm of blood, your blood.
I saw Harlem teeming with sounds and ritual colors
And outrageous smells—
At teatime in the home of the drugstore-deliveryman
I saw the festival of Night begin at the retreat of day.
And I proclaim Night more truthful than the day.
It is the pure hour when God brings forth
Life immemorial in the streets,
All the amphibious elements shinning like suns.
Harlem, Harlem! Now I’ve seen Harlem, Harlem!
A green breeze of corn rising from the pavements
Plowed by the Dan dancers’ bare feet,
Hips rippling like silk and spearhead breasts,
Ballets of water lilies and fabulous masks
And mangoes of love rolling from the low houses
To the feet of police horses.
And along sidewalks I saw streams of white rum
And streams of black milk in the blue haze of cigars.
And at night I saw cotton flowers snow down
From the sky and the angels’ wings and sorcerers’ plumes.
Listen, New York! O listen to your bass male voice,
Your vibrant oboe voice, the muted anguish of your tears
Falling in great clots of blood,
Listen to the distant beating of your nocturnal heart,
The tom-tom’s rhythm and blood, tom-tom blood and tom-tom.

III
New York! I say New York, let black blood flow into your blood.
Let it wash the rust from your steel joints, like an oil of life
Let it give your bridges the curve of hips and supple vines.
Now the ancient age returns, unity is restored,
The reconciliation of the Lion and Bull and Tree
Idea links to action, the ear to the heart, sign to meaning.
See your rivers stirring with musk alligators
And sea cows with mirage eyes. No need to invent the Sirens.
Just open your eyes to the April rainbow
And your eyes, especially your ears, to God
Who in one burst of saxophone laughter
Created heaven and earth in six days,
And on the seventh slept a deep Negro sleep.

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Inauguração da minha exposição na minha cidade !

A minha exposição “Olhar Outros Olhares” vai estar patente no Museu do Ciclismo, Caldas da Rainha, até ao proximo dia 26 de Julho.

É uma colecção de 40 retratos feitos nas ruas do Mundo.

Venham visitar-me ! 

 

Alone with Everybody

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the flesh covers the bone
and they put a mind
in there and
sometimes a soul,
and the women break
vases against the walls
and the men drink too
much
and nobody finds the
one
but keep
looking
crawling in and out
of beds.
flesh covers
the bone and the
flesh searches
for more than
flesh.

there’s no chance
at all:
we are all trapped
by a singular
fate.

nobody ever finds
the one.

the city dumps fill
the junkyards fill
the madhouses fill
the hospitals fill
the graveyards fill
nothing else
fills

Charles Bukowski

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